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Avaliação e Conceito de Via Aérea Difícil na Medicina de Emergência

Introdução

O manejo da via aérea é uma das competências mais críticas na medicina de emergência, anestesia e terapia intensiva. Uma falha pode resultar em hipóxia grave, parada cardiorrespiratória e morte em minutos. Por isso, reconhecer precocemente uma via aérea difícil é um passo essencial para preparar estratégias adequadas, mobilizar recursos e reduzir complicações.

De acordo com diretrizes internacionais — como a American Society of Anesthesiologists (ASA, 2022), a Difficult Airway Society (DAS, 2015) e a ABRAMEDE (2022) —, a avaliação sistemática da via aérea deve ser incorporada à prática clínica, sobretudo em cenários de emergência onde o tempo é limitado e as condições do paciente são desfavoráveis.

Definição de Via Aérea Difícil
  • ASA (2022): dificuldade em ventilar com máscara facial, intubar a traqueia ou ambas [1].

  • DAS (2015): amplia o conceito para incluir a via aérea falha, quando múltiplas tentativas resultam em insucesso, exigindo dispositivos de resgate ou via aérea cirúrgica [2].

  • ABRAMEDE (2022): incorpora a realidade brasileira, destacando também a via aérea fisiologicamente difícil (ex.: paciente em choque, hipóxico ou acidótico) [3].

Preditores Clínicos de Via Aérea Difícil
Avaliação Anatômica
  • Mallampati modificado: classes III e IV indicam maior chance de dificuldade.

  • Abertura oral: <3 cm aumenta risco.

  • Distância tireo-mento: <6,5 cm é preditor clássico.

  • Mobilidade cervical: limitação sugere dificuldade (trauma cervical, artrite reumatoide).

Escalas e Mnemônicos
  • LEMON: Look externally, Evaluate 3-3-2, Mallampati, Obstruction, Neck mobility – rápido e aplicável em emergências [4].

  • MACOCHA Score: validado em UTI, útil para estratificar risco antes da intubação [5].

Condições Clínicas Associadas
  • Obesidade grave.

  • Trauma facial ou cervical.

  • Queimaduras e inalação de fumaça.

  • Edema de glote, anafilaxia.

  • Paciente em choque ou hipóxia grave (dificuldade funcional).

Algoritmos de Avaliação e Decisão
  • ASA Difficult Airway Algorithm (2022): prioriza avaliação prévia, plano primário e plano de resgate (supraglóticos, via aérea cirúrgica) [1].

  • DAS Guidelines (2015): quatro etapas: prepare, recognize, rescue, review; recomendam limitar tentativas e avançar para alternativas rapidamente [2].

  • ABRAMEDE (2022): checklist de via aérea para pronto-socorro, incentivo ao uso do videolaringoscópio sempre que disponível [3].

Exemplos Clínicos
  • Trauma facial grave: obstrução por sangue, fratura mandibular, limitação de abertura oral. Estratégia: videolaringoscópio + plano de cricotireoidostomia de resgate.

  • Gestante obesa em emergência obstétrica: Mallampati III, refluxo, edema de via aérea. Estratégia: preoxigenação otimizada e dispositivo supraglótico disponível.

Importância da Avaliação Sistemática

Estudos demonstram que a falha em reconhecer antecipadamente uma via aérea difícil está associada a até 75% das complicações graves (aspiração, hipóxia, PCR) [6].

O uso de checklists e algoritmos garante que dispositivos de resgate estejam disponíveis antes da primeira tentativa, reduzindo falhas e tempo crítico de hipóxia [2,3].

Conclusão

A avaliação de via aérea difícil deve ser rotina em todos os atendimentos emergenciais. Ferramentas rápidas como LEMON e MACOCHA, associadas a algoritmos internacionais, aumentam a segurança.

O preparo com planos de contingência (videolaringoscópio, supraglóticos, cricotireoidostomia) é indispensável. O treinamento contínuo em cursos baseados em simulação, como o TDAC™, é fundamental para transformar teoria em competência prática, reduzindo morbimortalidade em cenários críticos.

Referências
  1. Apfelbaum JL, Hagberg CA, Connis RT, et al. 2022 American Society of Anesthesiologists Practice Guidelines for Management of the Difficult Airway. Anesthesiology. 2022;136(1):31-81.

  2. Frerk C, Mitchell VS, McNarry AF, et al. Difficult Airway Society 2015 guidelines for management of unanticipated difficult intubation in adults. Br J Anaesth. 2015;115(6):827-848.

  3. Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE). Diretriz Nacional de Manejo de Via Aérea na Emergência. 2022.

  4. Reed MJ, Dunn MJ, McKeown DW. Can an airway assessment score predict difficulty at intubation in the emergency department? Emerg Med J. 2005;22(2):99-102.

  5. De Jong A, Molinari N, Terzi N, et al. Early identification of patients at risk for difficult intubation in the ICU: development and validation of the MACOCHA score. Am J Respir Crit Care Med. 2013;187(8):832-839.

  6. Cook TM, Woodall N, Harper J, Benger J; Fourth National Audit Project. Major complications of airway management in the UK: results of the 4th National Audit Project of the Royal College of Anaesthetists and the Difficult Airway Society. Br J Anaesth. 2011;106(5):617-631.

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